top of page

Trekking nos Lençóis Maranhenses com crianças

Afinal crianças conseguem fazer a travessia a pé dos Lençóis Maranhenses? E curtem? Quando fomos comunicadas que atravessaríamos o "deserto brasileiro" andando por dunas de areia, achamos que ia ser mais uma daqueles martírios (no bom exagero infantil) que nossos pais nos metem em nossas férias. Aceitamos a parada, vamos ver como foi?


Esta é uma de nossas aventuras já no nível profissional, que só fazemos mesmo com o apoio e incentivo de amigos juntos nesta conosco. E os trilheiros-mor que nos guiam por aventuras cada vez mais hard-core são os nossos queridos e famosos gêmeos de borracha, Enzo e Luca, pois afinal eles pulam, saltam, fazem parkour, mortais e nunca se machucam e a gente vai atrás deles.


A travessia foi de 3 dias pelos Lençois num total aproximado de 40km de caminhada. De Atins a Santo Amaro, nesta direção para ter o sol para trás durante o periodo da caminhada (pela manhã) e ter o vento a favor. Até cogitamos fazer a direção contrária já que emendaríamos a Rota das Emoções rumo a Jericoacoara, mas não deu certo.


A rota pode ser ajustada ao critério do andarilho (gostei desse nome). Nós, guiados pelo "Leão da Montanha" codinome do Tio Nando pai dos gêmeos, decidimos pela rota de 3 dias, encurtadas por uma carona de 4x4 na saida de Atins e na chegada a Santo Amaro. Veja no simulado abaixo o trecho que fizemos caminhando. A bolinha azul se movendo somos nós. O restante foi feito de carro 4x4. As estrelas amarelas estão em Barreirinhas, Atins (Ponta do Mangue) e a bandeira verde é Santo Amaro.

Fizemos a rota de 18 a 20/7/21, a época ideal, a que eles chamam de verão, pois acabaram as chuvas, as lagoas estão cheias e começa a ventar mas ainda não está no ápice da época do kitesurf. E nós demos muuuuita sorte com o tempo, pois durante às caminhadas pegamos bons tempos de céu nublado (quando o sol saia sentiamos bem a diferença) e o vento estava bem fraco, ou seja, não levantava muito a areia. E o melhor, nas paradas nas lagoas, o sol saia das nuvens e brilhava, para as águas ficarem ainda mais cristalinas. Pegamos uma chuva passageira apenas no último dia, também para ter a emoção do momento.


O que levamos para a caminhada? Camisas UV, shorts, boné e óculos de sol, mais protetor solar nas pernas. Este foi o básico que levamos e para o tempo que pegamos foi suficiente. Nos pés, experimentamos sapatilhas de neoprene, que funcionou bem, mas ao fim andamos mesmo foi de meias. Não tivemos bolhas nem queimamos os pés, mas as meias da Betina rasgaram. Levamos também googles (óculos de neve) caso o sol e vento com areia estivessem mais agressivos, mas nem usamos, os óculos de sol foram suficientes e muitas vezes nem necessários. Compramos chapéu de palha em Barreirinhas, protege um pouco mais que o boné mas o vento o faz voar o tempo todo. Bandanas ajudaram a proteger os pescoços e lembrávamos sempre de repor o protetor solar, principalmente nas pernas e pescoços. Ah, água (1litro era ok, até menos) e comidinhas. O primeiro dia passamos mais fome, pois saimos sem tomar café e vale levar uns extras para os 3 dias, pois a comidas das paradas é no horário e as vezes contada.


Os blogs Viaje na Viagem e Viagens Cinematográficas foram essenciais no nosso planejamento da Travessia e também do Roteiro da Rota das Emoções. Nesta página tem um quadro que detalha e explica a travessia a pé dos Lençóis.


#partiu então! Vamos à nossa aventura.


Nosso vôo de São Paulo chegou em São Luis depois do meio dia. As 14h pegamos um ônibus na rodoviária direto para Barreirinhas. Viação Cisne Branco. Chegamos em Barreirinhas por volta das 19h. Viagem tranquila com uma parada pra lanche e já saimos almoçados de São Luis. Ficamos na pousada Sítio Preguiças, bem OK! reservada pelo booking mesmo, que já não tinha muitas opções para nosso grande grupo. A noite jantamos às margens do Rio Preguiças, que já tem restaurantes e badalação. Bem diferente da primeira vez que nossos pais vieram hà quase 20 anos atrás.

No dia seguinte partimos de Barreirinhas de lancha voadeira pelo Rio Preguiças até Atins. Desta vez não fizemos nenhum dos passeios dos Lençóis e pelo Rio Preguiças que saem de Barreirinhas, nossos pais já haviam feito na primeira vez que vieram aos Lençois, incluindo o sobre-vôo pelos lençóis que é muito lindo. O propósito desta viagem foi a travessia e explorar um pouco a região de Santo Amaro, e acabamos descobrindo Atins, que também merecia uma maior exploração. Ao chegar em Atins e aproveitar a tarde naquele lugar mágico, percebemos que um dia mais por ali poderia nos ter dado tempo para aproveitar principalmente a badalação daquela pequena vila que estava despontando com o kitesurf.

Passamos a tarde na praia na barraca Lar Doce Mar que tinha um camarão maravilhoso! Era o point do kite e foi ali naquela praia que descobrimos a "Quinta Essência" uma lama negra com um textura boa que cavamos até o anoitecer, virou uma brincadeira divertida.


Para fechar o dia em Atins, jantamos na vila que possuia já uma boa opção de restaurantes e um convidativo forró, mas a farra da lama tinha sido muito longa e tinhamos que acordar cedo no dia seguinte. Em Atins ficamos na casa Maori, reservada pelo booking. Uma ótima opção de flat, super bem equipado e tudo novinho e confortável.



DIA 1 - De Atins a Baixa Grande


As 5h da manhã quando os primeiros faixos de luz começavam a clarear o céu, o nosso guia, o Carlinhos Queimada nos pegou em sua jardineira 4x4 em nossa pousada em Atins, logo mais pegamos o resto da turma em sua pousada e entramos nos Lençóis. Com uma breve parada em uma duna para ver o sol nascer, que estava tímido atrás das nuvens, continuamos pela praia seguindo adentro dos Lençóis. Uma última parada em uma cachoeira na praia e logo depois chegamos ao ponto de início da caminhada!

Quando começamos a caminhar o sol já estava brilhando era por volta das 7h, mas a temperatura estava agradável e o visual incrível. Este começo foi só animação! Andávamos em zig-zag, corríamos pelas dunas, subiamos, desciamos e rolavamos, tudo era motivo para brincadeira e bagunça.

Atravessamos lagoas de todos os tipos de cores, fizemos descobertas em areias movediças, e tomamos banho em lagos sensacionais.

Hoje caminhamos por volta de 10km e chegamos ao "oásis" da baixa grande sob um sol forte do meio-dia que já nos estava cansando. Felizmente uma boa sombra de vários cajueiros na chegada e uma diferença no visual.


Depois de chegarmos, almoçarmos, relaxarmos um pouco e tomarmos um banho no rio de nosso oásis, o sol já havia baixado e saímos para curtir as dunas e lagoas da região e apreciar nosso primeiro por do sol dos Lençóis.

De volta ao nosso refúgio, antes de dormir, uma fogueira e muita brincadeira nas redes.


As acomodações ao longo da rota são todas parecidas. Dorme-se em redários ventilados. Há banheiros e duchas compartilhados e uma área para as refeições. E o astral de encontrar trilheiros indo e vindo e ouvir suas histórias. Encontramos duas crianças na Baixa Grande o que aumentou a brincadeira no dia. As refeições são simples e matam a fome! Os locais são rústicos e imersos no ambiente local: areia, lagoas e vegetação típica, por exemplo, muito cajueiro.


DIA 2 - De Baixa Grande à Queimada dos Britos


Nos reunimos antes do amanhecer para o café da manhã com ovos, frutas e tapioca. Mas até sairmos o dia já havia amanhecido. Hoje o dia de caminhada pareceu ser mais leve, mas caminhamos também por volta de 10km. Novamente tivemos nuvens ao nosso favor e conseguimos aproveitar bem a caminhada. Cruzamos o Rio Negro, o único rio que corta todo os lençóis até desaguar no mar, com águas escuras parece o Rio Negro amazônico.

Chegamos em Queimada dos Britos por volta do meio dia, após uma diversão na árvore, direto para aproveitar o delicioso banho na lagoa negra do povoado, o almoço e as redes.

Após o descanso, com o sol mais ameno, é hora de sair e explorar as redondezas. Aproveitamos para nos dirvertir com os esqui-bundas.

E mais banho de lagoa ao por do sol e uma experiência noturna pelos lençóis até voltar paras nossas redes para o sono da noite.


DIA 3 - De Queimada dos Britos à Santo Amaro


Acordamos cedo ansiosos pelo nosso último dia de trekking e na expectativa de uma experiência noturna de caminhada que infelizmente não aconteceu. O trecho inicial percorremos por todo o povoado de Queimada dos Britos e quando chegamos às dunas o céu já estava bem claro.

O nosso último dia de caminhada foi mais longo, percorremos uns 15km até o encontro do carro que nos buscou e levou até Santo Amaro. Hoje as nuvens cobriram bem o céu e presenciamos um céu carregado e uma chuva passageira quando passamos por um dos pontos mais bonitos dos lençóis, a duna do funil e a lagoa das emendadas.


Chegamos em Santo Amaro para almoçar por volta do meio dia, estavamos cançados e com fome. Logo recuperamos as energias para explorar as ruas de Santo Amaro.



Último dia dos Lençóis - Povoado de Betânia


Durante o trekking ouvimos outros trilheiros que encontramos pelo caminho falar de Betânia. Vários deles iam terminar o trekking em Betânia e de lá descer o rio de caiaque até Santo Amaro. Ficamos morrendo de vontade de fazer esta aventura. Mas quando chegamos a Santo Amaro percebemos que tudo é muito caro por lá e perdemos o passeio do caiaque, mas conferimos o povoado de Betânia, à beira de um rio de cores escuras e uma paisagem diferente e linda. O almoço por lá foi delicioso e ainda experimentamos a mandioca, que o Índio, guia que conhecemos na trilha, nativo de Betânia, nos apresentou.

Conseguimos ao longo do trajeto visitar outras Lagoas incríveis como a da piscina e a do torto.


Finalmente apreciamos um lindo por do sol e fizemos muitas poses e saltos fotográficos.

Depois das poses, os saltos!

Em Santo Amaro, ficamos em uma casa alugada pelo booking, Recanto dos Lençóis, o que conseguimos para acomodar todos. A casa tinha uma varanda ventilada que foi ótima para o nosso dia de relax, mas ficava muito distante do pequeno centro da cidade.

Tchau galerinha valeu, foi muito massa! Até a próxima aventura, #partiu Rota das Emoções rumo a Fortaleza!


Confira o vídeo das nossas experiências no trekking dos Lençóis:








Comentarios


bottom of page